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 Átrio + Escadas

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Marlon Forks
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MensagemAssunto: Átrio + Escadas   Qua Jul 17, 2013 7:41 pm

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Marlon Forks
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MensagemAssunto: Re: Átrio + Escadas   Qua Jul 17, 2013 8:19 pm

Durante a longa viagem de Las Vegas para a Austrália não consegui fechar os olhos por mais de dez minutos. As imagens de Masha assaltavam-me a mente com uma clareza enorme que me fazia estremecer. Seria eu o culpado de tudo aquilo? Acontecera mesmo à minha frente e eu não a protegera como devia.
Suspirei de forma audível assim que anunciaram que o avião ia aterrar. Coloquei o cinto e entreguei o copo vazio à hospedeira que andava a recolher as coisas. Olhei lá para fora, para as núvens, enquanto via o avião descer suavemente em direção à terra. Tinha que mandar uma mensagem a Blair, mas até coragem para isso me faltava. Eu era um péssimo irmão por nem lhe perguntar se estava tudo bem com ela, se lhe tinham arranjado um bom parceiro. No fundo, eu era um covarde.
Assim que as rodas assentaram na terra, o avião começou a travar suavemente; depois de terem abrido as portas, saí e fui buscar as minhas malas. Não que precisasse delas, visto ainda ter coisas minhas no meu quarto, mas era mais uma questão de hábito. Estava a tentar fazer de tudo para me fazer de normal.
Chamei um táxi, visto ter recusado que os meus pais me viessem buscar. Não queria que vissem o meu estado - parecia que não dormia à dias ou comia, sequer.
Depois de chegar a casa não me surpreendi ao ver os pais de Masha e o irmão no átrio, sentados no sofá a falar com os meus pais. Pousei as malas e passei as mãos pela cara, tentando recompor-me um pouco e parecer humano, pelo menos.
- Lamento. - disse muito baixo. As únicas palavras que dissera durante o voo fora "Um whiskey" ou "Não quero nada". A minha voz soava estranha aos meus próprios ouvidos.
Assim que ouviram a minha voz, todos os olhares se viraram para mim. A minha mãe levantou-se e veio abraçar-me com força. - Estás bem querido? - perguntou-me baixinho, afastando-se um pouco para me olhar de cima abaixo.
- Pareço-lhe bem, mãe? - disse igualmente baixo. Beijei a sua testa, preparando-me mentalmente para o que se seguiria. Não seria bonito, já imaginava. Mas eu era um homem e tinha que lidar com aquilo. Tossiquei para ver se a minha voz soava um pouco mais alto e aproximei-me do sofá, recebendo uma palmadinha no ombro por parte do meu pai. - Peço que não me comecem já a insultar... - disse para os pais de Masha que me olhavam de forma... nem eu sabia como descrever aquele olhar. - Não sabem o que aconteceu, nem eu. - comecei e levei uma mão ao cabelo, como se o tentasse compor. - Ela morreu nos meus braços e foi a coisa mais horrível que pode alguma vez ter-me acontecido. - disse baixo, olhando para as minhas mãos, virando as palmas para cima enquanto relembrava aquele momento. - Vocês podem achar que eu sou um insensível. Ou que a deixei morrer. Ou... o que quer que vocês se sintam bem a pensar. - olhei para eles. - Mas eu amava a vossa filha. Amava mesmo. Ela nunca o soube porque eu nunca o admiti, nem a mim mesmo. - abanei a cabeça. - Mas antes que me censurem ou digam que ela era boa demais para mim - fixei o meu olhar na mãe de Masha - eu digo que concordo. Ela era boa demais para mim. E eu tentei afastá-la, juro que tentei. E aí ela disse que me amava e... E eu tive que usar maus argumentos para a afastar de mim. Não resultou. - engoli em seco. - Mas se calhar podem encontrar uma pequena alegria para vocês no meio disto tudo... - disse baixo. - Nós estávamos chateados.
Quem falou foi o seu pai e a sua voz era fria, assim como a sua expressão: - Achas que vamos encontrar alguma felicidade na morte da nossa filha, seu sacana? - disse-me um pouco mais alto e reparei no irmão a estremecer ligeiramente perante o tom de voz do seu progenitor.
- Não, não acho. Mas sempre foi isso que vocês desejaram: que nos chateássemos de vez, que deixássemos de nos ver. - abanei a cabeça e olhei para o chão. - Desejo cumprido. Porque eu agora perdi-a de vez. - disse simplesmente, com a voz cada vez mais baixa.
Levantei-me e subi as escadas, indo para o meu quarto. 

O funeral realizou-se dois dias depois da minha chegada à Austrália. Os pais de Masha tinham novamente aparecido em minha casa e, daquela vez, tinham tentado perceber tudo sem estar com a palavra censura em mente. Tinha-me controlado ao máximo à frente deles, assim como à frente dos meus pais ou dos "amigos" que passavam por minha casa para ver como estava, mas quando ficava sozinho, nem fechar os olhos conseguia. O máximo que tinha dormido nos últimos dias teriam sido duas horas, e muito mal passadas.
Sentei-me no banco, a um canto da capela. Não queria levar com os olhares de pena face ao meu estado, nem queria que intrometidos viessem perguntar-me se estava bem quando se via claramente que não estava. De certa forma, parecia que eu sentia a sua presença ali, como se ela estivesse sentada ao meu lado e não deitada naquele caixão. Era uma sensação estranha, arrepiante. Parecia que não se ia embora enquanto eu não a deixasse ir, parecia que ia estar ali comigo para tudo...
Passei o tempo a olhar para um vitral por onde entrava o sol, desviando poucas vezes o olhar de lá. Mesmo enquanto falavam no púlpito sobre quem a Masha tinha sido, permaneci imóvel. O irmão dela pediu-me que falasse e acabei por ir fazê-lo, ignorando as questões acerca do meu estado enquanto caminhava para lá.
Cá fora, permaneci encostado a uma árvore, observando tudo. Haviam ali pessoas que apenas estavam para marcar a sua presença. Nunca tinham conhecido Masha verdadeiramente. Eram pessoas que a criticavam pelas costas forte e feio.
- Nem na nossa morte, ahm? - murmurei para mim, como se esperasse que ela me respondesse. Evidentemente, a única réstia da sua presença na terra acabou a ser enterrada.
Depois de toda a gente abandonar o local, incluindo os meus pais e a família de Masha, aproximei-me da campa e pousei a única rosa vermelha que tinha. Deixei-me cair de joelhos sobre a relva ao lado e mordi o lábio com força.
- Eu amo-te Masha. - disse muito baixinho. - Como sempre, é demasiado tarde. - arranquei um pouco de relva. - Acho que isto foi um castigo para mim e que tu foste a sacrificada. - olhei para a rosa que pousara. - Eu lamento tanto. - murmurei com lágrimas nos olhos.
Passado cerca de duas horas, ou mais, acabei por levantar-me. Já anoitecia quando saí do cemitério e me dirigi para casa.

No dia seguinte, comprei o bilhete de volta para o Monroe e parti, prometendo aos meus pais (e a Masha, secretamente) que voltaria brevemente.
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